Pontos-chave do caso do bolo envenenado foram esclarecidos à imprensa na manhã desta segunda-feira (6). Autoridades informaram que foi um saco de farinha contaminado com alta concentração de arsênico que levou à suspeita, presa no domingo (5), e à possível motivação para o crime: uma rixa antiga.
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A mulher, Deise Moura dos Anjos, 42 anos, seria nora de Zeli Terezinha dos Anjos, de 61 anos, com quem teria uma rixa antiga, de aproximadamente 20 anos, com a vítima, o que pode estar por trás do crime.
A idosa segue internada no Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres. Zeli é tia de Tatiana Denize Silva dos Anjos, 43, e irmã de Neuza Denize da Silva dos Anjos, 65, e Maida Berenice Flores da Silva, 58, que não resistiram ao envenenamento.
Responsável pela apuração da DP em Torres, o delegado Marcos Vinícius Veloso disse que há indícios consistentes que ligam a suspeita presa ao saco de farinha contendo arsênico encontrado na casa de dona Zeli. “Aparentemente, a família tinha uma convivência harmoniosa e nada levava a supor tamanha tragédia”, observou. “Porém, no curso da investigação, chegaram informações de uma divergência com uma única pessoa que levaram à suspeita e a consequente prisão.”
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Sobre a suposta divergência entre a suspeita e Zeli, não houve esclarecimento. Isso porque mais detalhes poderiam prejudicar a investigação, afirmou a diretora da DP Regional de Capão da Canoa, a delegada Sabrina Deffente.
“Houve a prisão temporária da suspeita, o que significa que a investigação prossegue e novos detalhes serão divulgados no momento certo para não prejudicar a apuração em curso”, destacou. “Precisamos aguardar para revelar a relação da suspeita com o crime por meio de provas técnicas.”
O espaço está aberto para posicionamento da defesa de Deise.
O que diz a defesa
“Deise Moura dos Anjos, presa temporariamente por suposto envenenamento no caso do bolo, na cidade litorânea de Torres/RS, vem a público manifestar que possui defesa constituída, representada pelos advogados Manuela Almeida, Vinícius Boniatti e Gabriela S. Souza.
Até o presente momento, 6 de janeiro, às 7 horas, a defesa prestou atendimento parlatório à cliente, contudo, não teve acesso integral a investigação em andamento, razão pela qual se manifestará em momento oportuno”.
Entenda o caso
O caso do bolo envenenado veio à tona no dia 23 de dezembro de 2024, quando seis pessoas de uma mesma família buscarem atendimento médico após consumirem o doce durante uma confraternização, em um apartamento, em Torres.
Três morreram: Neuza Denize Silva dos Anjos, 65, e Maida Berenice Flores da Silva, 58, Tatiana Denize Silva dos Anjos, 43, filha de Neuza. Zeli dos Anjos permanece internada em quadro estável. Já o menino de 10 anos, filho de Tatiana e neto de Neuza, foi liberado na semana passada.
Um homem foi liberado após atendimento médico ainda na data do envenenamento.
A sobremesa havia sido preparada para uma confraternização em família por Zeli, na casa onde que vive em Arroio do Sal, no litoral norte. Todos que consumiram o doce passaram mal pouco tempo depois.
Inicialmente, a Polícia Civil trabalhava com duas hipóteses: de envenenamento e de intoxicação alimentar. A segunda hipótese, entretanto, foi eliminada ao verificar as análises preliminares, que apontaram para a presença de arsênico no bolo.
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