ECONOMIA DO RS

Comércio gaúcho cresce, mas inflação e inadimplência preocupam; veja desempenho dos setores

Federação Varejista do RS apresentou novos dados nesta semana; confira também cenário de empregos no varejo

Publicado em: 25/12/2024 12:23
Última atualização: 25/12/2024 12:38

O varejo do Rio Grande do Sul segue puxando o crescimento da economia em 2024. É o que demonstra o Panorama do Comércio de dezembro divulgado na última terça-feira (24) e que é organizado pela Federação Varejista do RS, a partir dos dados econômicos de outubro no Estado e no Brasil.

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Comércio puxa economia no RS, mas há desafios para os próximos meses Foto: Ramiro Sanchez

O Estado acumulou alta de 8,8% no varejo ampliado e de 7,8% no comércio varejista nos primeiros dez meses do ano, índices superiores aos 4,9% e 5%, respectivamente, no País. No comparativo com setembro, porém, o crescimento é mais tímido: 1,8% no varejo ampliado e 0,2% no comércio varejista.

Mesmo que a economia gaúcha tenha tendência de registrar melhor desempenho no comparativo com os dados nacionais, a entidade reforça que há elementos que despertam atenção para os próximos meses. Um deles é a perspectiva de não cumprimento da meta da inflação no ano (4,29% no acumulado até novembro no Brasil e um pouco inferior, de 3,05%, em Porto Alegre).

O panorama apresentado pela Federação Varejista também já aponta maior dificuldade no crédito dos gaúchos, a partir dos dados do SPC. Embora tenha havido redução no índice de inadimplentes de -3,86% em relação a novembro do ano passado, no comparativo com o mês anterior, a alta já é de 1,34%.

O dado é corroborado pela maior dificuldade na recuperação de crédito, que reduziu em -6.95% em novembro. Conforme os dados do SPC, 82% dos gaúchos inadimplentes são reincidentes, ou seja, já estavam nos cadastros nos últimos 12 meses. Em média, a dívida acumulada dos consumidores é de R$ 4.606,20.

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Os setores

Embora haja preocupação com o futuro, no momento o varejo gaúcho registra crescimento em praticamente todos os segmentos. Entre os 11 setores, somente dois - combustíveis e lubrificantes; livros, jornais, revistas e papelaria - tiveram desempenho negativo, repetindo o que já era observado em meses anteriores e também acontece em nível nacional.

O consumo no mês de outubro aponta menos intensidade nos setores mais relacionados à reconstrução do Rio Grande do Sul. O setor de materiais para escritório, com variação de 17,5%, a mais alta entre os segmentos do panorama, teve leve redução no consumo em relação a setembro, quando atingiu 19% de variação positiva.

Da mesma forma, o setor de móveis e eletrodomésticos, com variação de 9,9% no Rio Grande do Sul, ficou levemente abaixo dos 10,4% do mês anterior. Entre os materiais de construção, a variação no consumo gaúcho, mesmo positiva, de 8,5%, teve ritmo inferior ao Brasil, com 12,2%

Setores como hipermercados e supermercados (12,5%) e atacadista de alimentação e bebidas (11,8%), que desde o início do ano apresentam crescimento bastante superior ao restante do País, mantêm o desempenho positivo estabilizado em relação a setembro.

Empregos

O comércio segue com papel preponderante no mercado de trabalho gaúcho. O saldo positivo de empregos no Estado, conforme o Caged, em outubro, foi de 14.115 vagas. Em setembro foram registrados 10.238 novos postos de trabalho. No comércio, o saldo positivo de outubro chegou a 4.741 vagas, 58% superior às 3.004 vagas de setembro. Somente em outubro, o comércio gaúcho registrou 39.550 admissões.

Assim como nos meses anteriores, os serviços e a indústria ainda não acompanham o ritmo do comércio no Rio Grande do Sul. Em outubro, houve queda de -7,3% no desempenho dos serviços no Estado (mesmo com variação positiva de 3,2% no Brasil) em relação ao mesmo mês em 2023. Na indústria, houve leve recuperação em relação a setembro, com índice positivo de 0,2% no comparativo com outubro do ano passado. Em setembro, a variação havia sido de -0,2%. Nacionalmente, a produção industrial segue em alta, de 3,4% em outubro.

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