SEGUNDA VEZ

Sinais de torre de celular afetam voos de aeroporto brasileiro; saiba o que aconteceu

Esta foi a segunda vez em menos de uma semana que sinais interferentes afetaram as operações aéreas

Publicado em: 04/09/2024 10:53
Última atualização: 04/09/2024 10:54

Os sinais de uma torre de celular afetaram os Sistemas Globais de Navegação por Satélite (GNSS, sigla em inglês), do Aeroporto Internacional de Guarulhos, e provocaram atraso e até cancelamento de voos, na terça-feira (3).

É a segunda vez em menos de uma semana que o terminal registra operações afetadas em razão de problemas no funcionamento deste sistema, que serve como um GPS aos aviões.


Sinais de uma torre de celular afetaram os Sistemas Globais de Navegação por Satélite (GNSS, sigla em inglês) Foto: FreePik/Reprodução

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Mais cedo, na terça, a Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) já tinha informado a identificação, pela manhã, de "sinais interferentes" que teriam interferido no funcionamento do GNSS. Em novo pronunciamento à tarde, a agência afirmou que fiscais da Anatel encontraram a fonte destes sinais (uma torre de celular), e que a interferência foi cessada assim que os técnicos desligaram a torre.

"A equipe de fiscais esteve em fase de atuação e buscas para localizar a fonte da interferência e assim solucionar o problema. Na tarde de hoje (terça) os fiscais encontraram a fonte de interferência, uma torre de celular. Os fiscais desligaram a torre e fizeram testes de medição. A interferência foi cessada", disse a Anatel, em nota. A localização da torre não foi informada pela agência.

A GRU Airport, responsável pelo aeroporto, confirmou que algumas empresas aéreas enfrentaram atrasos pontuais nas decolagens nesta terça, mas que os sistemas de navegação aérea estavam operando normalmente desde o início da tarde.

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Cancelamento e atraso de voos

A interferências ao GNSS provocaram alterações nas atividades de algumas companhias aéreas e afetaram as viagens de passageiros.

A Azul informou em nota que, por conta de problemas no sistema de GPS do aeroporto de Guarulhos, os voos AD4826 (Guarulhos-Curitiba) e AD2818 (Curitiba-Guarulhos) precisaram ser cancelados, enquanto que voos AD4769 (Guarulhos-Cuiabá), AD2836 (Guarulhos Recife), AD6072 (Guarulhos - Belém), AD4830 (Guarulhos-Curitiba) e AD2749 (Guarulhos Recife) decolaram com atraso.

"Os clientes impactados estão recebendo toda a assistência necessária, conforme prevê a Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e serão reacomodados em outros voos da Companhia", disse a Azul. Conforme a empresa, ações como atrasos e cancelamentos foram feitos para "garantir a segurança das operações".

A Gol Linhas Aéreas declarou ter registrado "impactos pontuais" na sua operação no aeroporto na manhã desta terça-feira, devido a interferências no sinal do sistema GPS. Segundo a empresa, todos os clientes afetados receberam as facilidades previstas que outras companhias aéreas também foram afetadas.

A Latam informou que suas operações no terminal de Guarulhos já estavam normalizadas no começo da tarde. "Algumas decolagens sofreram atrasos na manhã desta terça-feira (3/9) devido a questões técnicas do aeroporto, fato totalmente alheio ao controle da Latam", informou, em nota. A empresa não divulgou os voos afetados.

Falha anterior

Uma falha no sistema de navegação já havia causado atraso e cancelamento de voos na manhã da última quinta-feira (29). Segundo a Anatel, na ocasião, o problema foi provocado pela presença de sinais de radiofrequência que interferiram com o sinal de GPS/GNSS do aeroporto, afetando as operações aéreas.

Uma primeira análise feita pela agência indicou que o sinal teria partido do centro de Guarulhos. De acordo com a Anatel, o sinal interferente deixou de ser detectado antes que a fonte pudesse ser localizada, mas a agência continuou monitorando o espectro na região.

A transmissão de radiofrequências sem autorização configura crime federal.

A Força Área Brasileira (FAB) também precisou ser acionada para ajudar a GRU nas investigações, por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), e a diminuir os impactos causados pelo problema.

A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que uma aeronave do Grupo Especial de Inspeção em Voo (GEIV) fez "a inspeção de radiomonitoragem no entorno do aeródromo" para identificar o que afetou a capacidade dos GNSS das aeronaves, e que o Decea dispõe de "procedimentos alternativos ao sistema de navegação para dar continuidade às operações de pousos e decolagens sem interrupções".

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