Foi presa preventivamente nesta quinta-feira (9), Mayanna Angelina Rodgers, a mãe do menino de três anos que foi espancado pelo pai em Viamão, na região metropolitana. A criança, identificada como Oliver Golden Grayson, faleceu nesta quarta no Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre. A motivação da prisão foi a omissão frente à violência de Dandre Jermaine Grayson, que bateu no filho até deixá-lo desacordado no último domingo.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A criança teve morte cerebral devido às lesões na cabeça e, segundo o HPS, a família autorizou a doação dos seus órgãos. O pai, que é natural dos Estados Unidos e atuava no Brasil como missionário de uma igreja evangélica, está preso preventivamente desde domingo. O homem confessou ainda no Hospital de Viamão — onde a vítima foi atendida primeiro — que teria agredido o filho dentro da própria residência.
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A Polícia Civil investigava se Mayanna também era vítima de violência doméstica, solicitando uma medida protetiva para a mulher. A família, que possui mais quatro filhos, vive no Brasil há cerca de 10 anos e vivia há seis meses em Águas Claras, na zona rural de Viamão.
Segundo a Justiça, a decisão pela preventiva da mulher ocorreu porque “há indícios suficientes da participação dela nos fatos investigados, e que medidas cautelares alternativas, como restrições ou monitoramento, não seriam suficientes para proteger a investigação e a ordem pública”. Também foi avaliado o risco de fuga, levando em consideração que a investigada é cidadã japonesa e realizou deslocamentos entre diferentes estados nos últimos tempos.
Histórico de maus-tratos
Em 2024, Dandre foi investigado pela Justiça Pública do estado de São Paulo por maus-tratos contra crianças e adolescentes. O processo ainda está em aberto e foi enviado para ser julgado pela Justiça Comum, o que permite uma apuração mais clara dos casos. A delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pelo caso, revelou à reportagem do ABCmais que “registros passados mostram a ocorrência de agressões desde 2024, na cidade de Águas de Lindoia (SP), em detrimento de uma das crianças que, à época, estava com sete anos”.
Motivação para o crime
A delegada contou que, com o andamento das investigações, novos relatos surgiram que indicam outras agressões e lesões contra as crianças. “O que chamou a atenção foi a hediondez empregada, sob a motivação de ser a forma como a cultura e a religião deles indicava que deveria ser a correção e disciplina dos filhos. Sob o argumento de que estariam disciplinando de forma rígida, porém correta, inúmeras agressões, de ordem física e psicológica, nas crianças”, destacou.
A forma como a família vivia foi determinante para a PC entender que a mãe foi conivente com os atos de tortura que culminaram na morte do menino. “O homicídio foi praticado com inúmeras e gravíssimas lesões, que chegaram a movimentar o coração do infante de lugar e achatar o crânio, não sendo crível que se pense que a mãe não conseguiu ouvir tudo — do quarto ao lado — e que sequer tivesse tentado conter o pai”, completou Luana.
Entretanto, o inquérito não descarta que a mãe também era vítima de agressões. “Há fortes indícios de violência doméstica contra a mulher, praticadas pelo companheiro (pai das crianças)”.
Isso indica que as crianças mais velhas, de cinco, sete e nove anos, podem ter sido vítimas de violências semelhantes. A polícia segue apurando a situação do mais novo, um bebê de um ano. Até a última atualização desta reportagem, não há confirmação de que a criança também era vítima. Os filhos estão sob a responsabilidade do Conselho Tutelar de Viamão.
“Não gostou do bom dia”
Na manhã de domingo (5), um homem deu entrada no Hospital de Viamão com seu filho nos braços. O menino apresentava diversas lesões no abdômen, peito e cabeça que indicavam que a criança foi exposta à violência física intensa. Após os médicos realizarem os exames, a Brigada Militar foi acionada, e o pai foi preso por ter deferido os golpes no menino de apenas 3 anos.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
A delegada Luana ressaltou que o homem teria confessado o crime ainda no hospital. “O pai admitiu à BM que tinha agredido o filho (…) em seu relato, ele descreve que ele teria passado pelo menino, o menino não deu um bom dia que ele tivesse ficado satisfeito, o pai não gostou da forma como o menino falou bom dia.”