O avião ATR-72 da companhia aérea Voepass que caiu no início da tarde desta sexta-feira (9) em Vinhedo, no interior de São Paulo, com 61 pessoas a bordo, é apontado por passageiros como sendo um “teco-teco”. Mas, na verdade, é um avião moderno e classificado como absolutamente seguro por especialistas em aviação.
O ATR-72 é fabricado pela empresa europeia Avions de Transport Regional (ATR), uma parceria entre as gigantes Airbus e Leonardo. De 1988 até agora já foram entregues mais de 1.600 unidades, usadas basicamente para voos regionais de curta distância nos cinco continentes. No Brasil, o ATR-72 é operado pela Voepass (5 unidades) e pela Azul (33 unidades).
No Rio Grande do Sul, depois da enchente de maio, o modelo ATR-72 vem sendo usado pela Voepass em cidades como Caxias do Sul, Santa Maria e Uruguaiana. Antes do fechamento do Aeroporto Internacional Salgado Filho, no entanto, o modelo era usado também pela Azul para ligar a capital a Pelotas, Uruguaiana e Santo Ângelo.
Parece, mas não é
Por ser um avião movido a hélice e não a jato, como os modelos mais conhecidos da Boeing e da Airbus, por exemplo, o ATR é muitas vezes apontado pelos usuários como modelo antigo e inseguro, o que não é verdade. O ATR-72 está longe de ser um “teco-teco”.
O painel da cabine de comando do ATR-72 e a estrutura, por exemplo, são tão modernos quanto de aviões como Airbus A320 e Boeing 737, vistos com muita frequência nos aeroportos do Brasil. Um inconveniente do ATR-72 é que, por voar mais devagar e mais baixo, está mais suscetível a turbulências.
O avião é um turboélice com dois motores e asa alta. Os motores turboélices têm tecnologia bem diferente daqueles aviões menores com hélices, tendo turbinas para movimentar suas pás, enquanto os outros são movidos a pistão, como em um carro.
É seguro?
O ATR-72 é um avião considerado absolutamente seguro e confiável. De 2014 até esta sexta-feira o Brasil havia registrado cinco acidentes e nove incidentes envolvendo aviões ATR, nenhum com morte. A queda do avião da Voepass nesta sexta matou ao menos 61 pessoas.
Afora o acidente desta sexta, em apenas um dos 14 registros houve suspeita de mau funcionamento de um componente elétrico da aeronave. A investigação ainda não foi concluída pelas autoridades. Nesse caso, os quatro tripulantes e 33 passageiros saíram ilesos. O 34º passageiro teve lesões leves.
Os demais acidentes e incidentes envolvendo o ATR-72 no Brasil envolveram fatores externos, como colisão com pássaro ou perda de controle após o pouso. Para fins técnicos, um estouro de pneu ou colisão com pássaro já pode ser considerado acidente ou incidente.
Ficha técnica do avião ATR-72
- Configuração: 68 assentos (média densidade) e 78 (alta densidade)
- Tripulação: dois pilotos (comandante e co-piloto) e dois comissários
- Pista de pouso: Aproximadamente 1.650 metros (lotado/dias quentes/tanques cheios)
- Velocidade de cruzeiro: Aproximadamente 450 km/h (ATR-72-200)
- Velocidade de cruzeiro: Aproximadamente 500 km/h (ATR-72-500)
- Motorização ATR-72-600 (potência): Dois Pratt & Whitney PW-127
- Peso máximo de decolagem (ATR-72-600): Aproximadamente 23.000kg
- Consumo médio (QAV): Aproximadamente 700 kg/hora (875 litros)
- Hélices (ATR-72-500): Hexipás Hamilton
- Teto de serviço: Aproximadamente 7.600 metros (25.000 pés)
- Alcance: Aproximadamente 1.500 quilômetros (lotado/75% potência/com reservas);
- Preço: Aproximadamente US$ 25 milhões
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